De bom, o dia não tem nada, então dispenso essas convenções sociais de desejar algo que potencialmente não irá acontecer. Queiram os bem-humorados ou não, segunda-feira é a pior merda que já inventaram na face da Terra.
E então, eu detesto gente que paga pau de letrado, de artista, de bem-informado, de gente boa e boa pinta. Tudo sabe, tudo leu, tudo escutou; adora colocar frase de Fernando Abreu e Clarice Lispector no Facebook, foto de cachorrinho e de campanha pra criança doente, mas pergunta se já visitou um hospital? E um asilo? Sabe mesmo como é que vive essa gente? Se prestou pra verificar se a frase célebre é mesmo desse autor?
Odeio gente que coloca foto de pôr-do-sol, mas que não se preocupou em ficar trinta minutos sentado assistindo-o. Odeio quem posta foto de céu estrelado e sequer sujou a roupinha pra deitar na grama e ficar admirando as estrelas.
Odeio gente que cola frase de livro e não se dá conta de que a verdadeira graça é sentar durante horas, e horas e horas pra devorar aquele autor. E, não por acaso, também odeio esses autores badalados de Facebooks depressivos, eles me dão nos nervos e as suas frases aleatórias, spoilers sem-braço de livrinhos mesquinhos que eu jamais vou descansar os olhos em cima.
Odeio gente que leva tudo à ponta de faca: o religioso fanático e o ateu, graças à Deus. Odeio quem cola textinho da Bíblia e quem desdenha dos mesmos textinhos, dá pra ser mais civilizado? Se eu fosse homem e tivesse um pênis, eu ia gostar muito dele, mas isso não significa que eu deva sair enfiando ele nas pessoas - exatamente como as minhas opiniões. Eu gosto muito das minhas ideias, mas NÃO posso enfiá-las goela abaixo das outras pessoas, afinal cada um tem a sua e provavelmente também gosta das que produziu.
Odeio gente que compreende perfeitamente o sentido da vida sem, contudo, se dar ao luxo de desejar um bom dia para as pessoas com quem trabalha, com quem estuda. Educação passou bem longe, segura de si e cheia de outras ideias novas para pessoas com mentes mais abertas.
Eu também odeio à mim mesma, porque eu provavelmente faço muitas dessas coisas que eu odeio e não vou me abster de me odiar só para o bem da minha já escassa auto-estima ou para o bem-desenrolar deste texto que já nasceu predestinado à falência.






